
Ilustrador: Acxel Pocera
Meu nome é Angelica Lang Ramos, sou casada e tenho 35 anos. Tenho 2 filhos e quero contar um pouco da minha história. Meu esposo e eu sempre sonhamos ser pai e mãe, construir uma família, então decidimos ter o primeiro filho. No entanto, nunca imaginávamos o que estava para acontecer.
O tão sonhado teste positivo de gravidez chegou dia 14 de dezembro de 2020. Essa criança era planejada e muito esperada por toda a família, nosso sonho estava sendo realizado, seríamos pais de uma linda menina, que se chamaria Helena. A gravidez ia bem, perfeita em todos os sentidos, sem nenhum problema, até um temido vírus chegar. Era o vírus Sars-Cov-2, causador da doença Covid-19, que se alastrou pelo mundo e virou uma pandemia.
Fui afastada do meu trabalho para poder me prevenir e não contrair o vírus, uma vez que nem os médicos conheciam as consequências dele para a gestação. Estava em casa, com 30 semanas de gravidez, tinha contato com poucas pessoas, quando, já na reta final, comecei com sintomas de gripe, sendo que no terceiro dia não senti o gosto da comida durante o almoço. Eu me desesperei e corri para a farmácia para fazer o teste de sorologia, que diria se eu havia contraído o vírus. O temido resultado positivo saiu no dia 30 de maio de 2021 e, a partir daí, nossa vida virou do avesso.
Muito preocupada, pois sabia do risco que estava correndo, tanto eu quanto nossa Helena, iniciei um forte tratamento para conter o vírus. Foram dias de angústia e sofrimento. No dia 03 de junho de 2021, acordei me sentindo mal, entrei em contato com o médico que estava cuidando do meu pré-natal e ele pediu para eu ir até o hospital. Fiz exames e eu estava com 75% dos pulmões comprometidos, por isso fui internada na mesma hora. Pela porcentagem de comprometimento dos pulmões, eu deveria ser entubada, mas minha saturação respondia bem, então não foi necessário. Sabíamos que Deus estava no controle.
Foram dois dias de muita medicação, pois nós duas estávamos correndo risco de vida. O médico disse ao meu esposo que, se fosse necessário escolher entre a Helena e eu, a equipe médica iria dar prioridade à vida da mãe. No dia 05 de junho de 2021, pela manhã, ainda internada, senti uma dor do lado direito da barriga e o médico decidiu fazer um ultrassom. Nessa hora nosso mundo desabou mais uma vez, pois nossa Helena estava em sofrimento fetal grave. Eu tinha pouquíssimo líquido na placenta, consequência da Covid-19, e a Helena precisava nascer. Que desespero! Nós já estávamos com tudo pronto para a chegada da nossa princesa, quarto, enxoval, e acreditávamos que a Helena iria nascer forte, saudável, uma guerreira, mas nem imaginávamos que o pior estava para acontecer.
Fomos transferidos para o Hospital Dona Helena, em Joinville, já que iríamos precisar de UTI neonatal, e essa foi a única cidade que havia vaga. E lá fomos nós, cheios de fé e esperança que nossa princesa fosse nascer bem. Após seis horas de viagem em uma UTI Móvel, médicos e enfermeiros nos esperavam na porta do hospital, pois meu caso era muito grave e eu teria que passar por uma cesariana. Mesmo assim, ainda tínhamos muita esperança.
Com 31 semanas de gestação, no dia 06 de junho de 2021, às 9h20 da manhã, nossa tão sonhada Helena nasceu. Pesava 1,750kg e tinha os olhos verdes, uma linda princesa! Foi encaminhada diretamente para a UTI neonatal para receber os cuidados necessários. Ela lutou pela vida por quatro horas e meia, mas infelizmente não resistiu às complicações causadas pela Covid-19 e faleceu no dia 06 de junho de 2021, às 13h45.
A dor de perder um filho será certamente a mais avassaladora e terrível das dores, um sofrimento inimaginável, pois na perda de um filho se perde um pedaço do pai e da mãe para sempre. Ela era linda, uma boneca de olhos verdes, tive a graça de tê-la em meus braços já sem vida por alguns minutos. Que dor sentimos ao ter que sair daquele hospital com o colo vazio. Hoje ela é a estrelinha mais linda que brilha no céu. Sou eternamente grata a Deus e a ela pela oportunidade de ter me dado a chance de viver. EU SOU UM MILAGRE, com 75% dos pulmões comprometidos como eu estava, deveria andar com tubo de oxigênio 24 horas, mas Deus, com sua infinita bondade, não permitiu que isso acontecesse. Hoje tenho uma vida normal, sem sequelas. Muitas coisas não entendemos, quem sabe possamos entender na eternidade? Eu gerei a Helena para Deus, ela tinha um propósito aqui na Terra, veio, cumpriu e voltou ao colo do Pai. Ela estará para sempre em nossos corações.
Sei que Deus me permitiu ter vida e saúde para gerar novamente, embora saibamos que “um filho nunca irá substituir o outro”. No dia 25 de novembro de 2022 descobri que estava grávida novamente, estava iniciando uma nova fase nas nossas vidas. Fomos presenteados por Deus com o nosso segundo filho, nosso bebê sorriso Samuel. Foi uma gestação tranquila, sem intercorrências e Samuel nasceu lindo e cheio de saúde no dia 11 de julho de 2023, com 38 semanas e 5 dias de gestação, pesando 3,930 Kg. Samuel hoje está com 10 meses, o mais lindo presente que poderíamos receber. Ele é um menino encantador, tem um sorriso marcante, que cativa cada um ao seu redor, um menino abençoado, presente de Deus para as nossas vidas.
Agradeço profundamente por cada novo amanhecer e por todas as lições que aprendi nessa jornada. Deus esteve presente em todos os momentos nos dando forças e coragem para superar. Espero que meu relato possa tocar corações e mostrar que é possível encontrar felicidade, mesmo nas circunstâncias mais difíceis!

Ilustradora: Maria Eduarda Vockes

Ilustradora: Márcia Elizabéte Schüler

Autor(a): Angelica Lang Ramos
(Publicado em: Agosto de 2024)
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