
Ilustrado por: Edneide Ramos de Santana
Como toda mulher que cresce, se molda e se transforma ao longo dos anos, eu sempre aguardei ansiosamente pela idade dos trinta, esperando aquela que sempre ouvir dizer ser uma das melhores fases na vida de uma mulher.
Em fevereiro 2021, que foi o ano de vivenciar meus trinta anos, estávamos vivendo uma pandemia mundial. Quatro meses após meu aniversário, fui diagnosticada com trombofilia cerebral e um AVC isquêmico, isso cinco dias após ter recebido alta do COVID - 19.
Eu nunca imaginei ficar doente a ponto de não reconhecer minha família, amigos e as pessoas que eu amo. Depois disso, muitas incertezas e dúvidas surgiram.
Uma semana depois do meu diagnóstico, eu comecei a entender o que estava acontecendo comigo. Apesar da gravidade, eu tive uma recuperação muito boa, sem sequelas permanentes. Foram meses sem trabalhar e meses para uma recuperação total. Mas a maior tristeza de todas foi receber a notícia de que eu não poderia ter filhos, pois seria uma gravidez de risco, e também que teria que tomar remédios o resto da vida, pois descobri que minha trombofilia era genética.
Mas eu não me deixei abalar. Voltei estudar para ajudar na minha memória. Sendo assim, um ano e meio depois, formei-me em técnica de segurança do trabalho. Mas essa não foi minha única conquista em 2022. Após oito dias da minha formatura, recebi a notícia de que estava grávida, a notícia que trouxe o maior amor da minha vida: minha filha amada Luísa. Junto com meu marido e com o acompanhamento do meu obstetra, conseguimos ter uma gestação tranquila até o final, sem nenhuma intercorrência.
Todas essas provações me fizeram ressignificar muitas coisas na minha vida. Deixei para trás pessoas e trabalhos os quais não me faziam bem. Para estes, se eu não tivesse saúde, todo o resto não importava, porque você acaba sendo substituível em qualquer lugar ou situação, por mais bom ou competente que seja. Percebi que o que importa mesmo é estar ao lado das pessoas que amo, fazendo o que eu amo. Pessoas estas que não soltaram minha mão e nem me deixaram desamparada durante todo esse período de turbulência.
Hoje, aos trinta e três anos, sigo aproveitando a vida ao máximo com minha filha, marido, minha família e amigos especiais, amigos estes que se tornaram poucos. Porém, o que importa não é a quantidade de amigos e sim o valor deles e o que cada um representa em minha vida.
Agradeço a Deus todos os dias pela oportunidade de continuar vivendo meu propósito de vida cheia de saúde e acompanhada das pessoas que eu amo.
Autora:
Deiseane Dutra Cenci.
(Publicado em dezembro de 2024)
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