Um começo no que era para ser o fim
- Capitulos De Superação - IFC
- 11 de out. de 2023
- 3 min de leitura
Atualizado: 5 de jun. de 2024

Ilustrador(a): Maria Fernanda Comparotto
No início do mês de abril de 2020 um jovem foi internado com fortes dores abdominais. Os médicos, mesmo após diversos exames, não conseguiam desvendar a causa daquelas dores intensas. A situação era tão grave, que o jovem precisou ser medicado com morfina para aliviar seu sofrimento.
Naquele momento delicado, ele passou pela primeira cirurgia, na qual os médicos abriram seu corpo em busca de respostas. Foi então que descobriram uma inflamação em seu intestino, mas em vez de remover uma parte do órgão naquele momento, optaram por colocar um dreno, mesmo sabendo que, a qualquer momento, aquela solução provisória poderia falhar.
Infelizmente, o temido ocorreu e o dreno se rompeu, forçando o jovem a passar por uma segunda cirurgia. Era uma cirurgia de emergência, repleta de riscos iminentes. A urgência era tanta, que não houve tempo de avisar sua família antes do procedimento.
Foi nesse momento que o primeiro milagre aconteceu. O jovem estava com o dreno, ainda se recuperando da primeira cirurgia, e seu médico não estava na cidade, era feriado. Não havia ninguém no hospital apto a realizar aquela cirurgia emergencial, mas o dreno continuava vazando.
Por um ato divino, um outro médico que estava a caminho de casa, decidiu passar pelo
hospital para verificar o estado de saúde de outra paciente sua prestes a receber alta. O médico que estava de plantão na UTI, ao ver esse outro médico, pediu para ele dar uma olhada no jovem. Ao perceber a situação gravíssima, o médico determinou que o rapaz precisava ir para a sala de cirurgia imediatamente, dando apenas alguns minutos para prepararem o paciente antes da transferência ao centro cirúrgico.
Assim, o jovem foi levado às pressas para a cirurgia, na qual cerca de 1 metro de seu intestino foi retirado. Além disso, durante a segunda cirurgia, ele recebeu uma medicação chamada noradrenalina para melhorar a circulação sanguínea, concentrando o sangue nos órgãos vitais. Entretanto, essa medicação teve efeitos colaterais graves. O sangue mal circulava em suas extremidades, levando a uma necrose de seus pés. Um médico na UTI sugeriu a amputação, mas outro médico recusou, alegando que não adiantaria e que as chances de recuperação eram mínimas, prevendo que não sobreviveria por muito tempo.
A notícia dada aos pais do jovem foi devastadora. Eles foram informados de que ele tinha apenas 3 dias para mostrar melhora, caso contrário, não havia garantias de sobrevivência. Um dos médicos da UTI comunicou à família que as chances de sobrevivência eram ínfimas, apenas 5%.
O jovem foi transferido para a UTI, onde foi entubado e permaneceu em coma induzido por 12 ou 13 longos dias. Eventualmente, os médicos começaram a retirar a sedação, mas a primeira tentativa não foi bem-sucedida e ele precisou ser entubado novamente. Na segunda tentativa, graças a Deus, ele finalmente acordou, embora confuso e delirante. Foram dias difíceis na UTI, agravados pela pandemia, que impossibilitou visitas. Isso tornou a recuperação ainda mais desafiadora, tanto para o jovem quanto para sua família. No dia 1º de maio, ele finalmente pôde voltar para casa, onde diversos amigos da família se reuniram para vê-lo, mesmo que a distância, devido à pandemia e à sua imunidade comprometida.
Ao compartilhar essa história, o jovem percebe o quanto Deus esteve presente em todos os momentos difíceis de sua jornada. Ele aprendeu lições valiosas ao longo desse processo, reafirmando sua fé e gratidão por cada dia de vida que lhe foi concedido. A história desse jovem é uma lembrança poderosa de como a fé e a determinação podem superar desafios aparentemente insuperáveis.
E quanto ao protagonista desta narrativa, ele não é apenas um personagem fictício, mas sim o autor deste relato. Cada palavra que descreve essa jornada é um fragmento de minha própria experiência, um testemunho da incrível reviravolta que Deus permitiu em minha vida. Ao olhar para trás, reconheço a presença divina em cada desafio superado, em cada sinal de esperança durante os dias sombrios e nas mãos habilidosas dos médicos, que nunca desistiram de lutar por mim.
Agradeço profundamente por cada novo amanhecer e por todas as lições valiosas que aprendi ao longo dessa jornada. Que ela possa inspirar a todos a enfrentar seus próprios obstáculos com coragem e fé, sabendo que, mesmo nos momentos mais sombrios, a luz da esperança nunca se apaga por completo.
E após tudo isso, a frase que mais marcou essa etapa da minha foi de uma camiseta feita por amigos e familiares, que dizia:
"O que para o homem parece ser o fim, para Deus é o início de um novo projeto."
Autor: Thiago Borges Vieira.
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